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REALIDADE MACABRA
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VALHALLA
Formado no início dos anos 90, o Valhalla sempre remou contra a maré, primeiro por ser formado quase que exclusivamente por mulheres, por apostar no Death Metal e lançar um LP em meio às dificuldades que a cena enfrentava, com o surgimento do Black Metal norueguês, crossover etc. Depois de um tempo desaparecidas, voltaram em 2000 com nova formação e em 2001 lançaram a demo For the Might of Chaos... For the Force Inside. Conversamos com a guitarrista Alessandra para que a nova fase do grupo brasiliense seja exposta no REALIDADE MACABRA.
REALIDADE MACABRA - O Valhalla volta á cena depois de um hiato muito grande. O que aconteceu durante esse período?
ALESSANDRA - Logo depois do lançamento do debut LP o baterista deixou a banda e a partir daí houve uma constante troca de componentes, o que nos obrigou a dar um tempo...mas na medida do possível continuamos mantendo a banda, tentando consolidar uma formação ideal e evoluindo musical e psicologicamente.
REALIDADE MACABRA - O que motivou a decisão da volta?
ALESSANDRA - Como falei anteriormente, nunca pensamos no fim da Valhalla, já que a banda é a nossa vida, é uma necessidade de criação. A pausa nas atividades foi um mal inevitável e o problema estava na busca de uma consolidação da formação, assim que achamos pessoas para se juntar a nós, voltamos a mover a banda.
REALIDADE MACABRA - Como tem sido a agenda de shows?
ALESSANDRA - No ano passado fizemos vários shows, inclusive com grandes nomes do Death Nacional como o Embalmed Souls, o Nauseous Surgery, Queiron, Rebaelliun, Krisiun entre outros, e por isso não estávamos tendo tempo para nos concentrar e ensaiar para compor. A partir do começo desse ano
demos um tempo de shows para poder preparar o novo material, que deve ser lançado em julho pela Hellion Records.
REALIDADE MACABRA - Como tem sido a repercussão da demo “For the Might of Chaos... For the Force Inside\" aqui e fora do país? Algum plano para o exterior?
ALESSANDRA - Nós gravamos esse MCD-demo para termos uma idéia do que estávamos fazendo e não o divulgamos muito, porque bancamos toda a produção e acabou saindo muito caro, mas o pouco que foi divulgado teve uma boa repercussão, rendendo ótimos comentários, shows e o contrato com a Hellion. Para exterior não mandamos nada! e mesmo assim houve o interesse de uma distribuidora da Alemanha e da Polônia, que ouviram o som através da Internet, mas preferimos aguardar a gravação desse trabalho novo, que terá distribuição em vários países da Europa e nos EUA, pela Napalm Recs, com a Hellion as coisas ficaram mais organizadas.
REALIDADE MACABRA - “...in the Darkness of Limb! Oito anos após seu lançamento, como vocês vêem esse disco?
ALESSANDRA - Para nós é uma honra ter registrado um trabalho em vinil, nós respeitamos muito esse disco...só acho meio engraçado ver a minha foto com 16 anos!
REALIDADE MACABRA - Os títulos dos dois trabalhos apresentam reticências(...) em sua grafia, um detalhe que pode parecer bobo mas que se observado com atenção pode revelar idéias inclusas ou propositadamente omitidas. Viagem do zineiro ou alguma razão por detrás desse raciocínio?
ALESSANDRA - Sempre foi um dilema escolher os nomes que nossos trabalhos teriam, pelo simples fato de querermos dizer muita coisa em poucas palavras, no “For the Might of Chaos... For the Force Inside\", queríamos passar a idéia de que esse fluxo de forças que rege o universo, o qual nós da Valhalla chamamos de “poder do caos”, faz com que vários caminhos e opções apareçam em nossa longa e árdua caminhada pelo e dentro do underground, porém, o que move nossas ações na permanência da banda dentro do underground é, principalmente, a puta força que temos dentro de cada uma de nós, e que consequentemente reflete nos acontecimentos com a Valhalla. Imagine resumir isso em uma ou duas palavras!
REALIDADE MACABRA - O nome da banda revela uma marcante influência da cultura nórdica e dos mitos vikings na sua temática e consequentemente nas letras. Essa característica permanece no trabalho de vocês?
ALESSANDRA - Na época em que escolhemos esse nome, no Brasil não se tinha notícia sobre bandas nórdicas, metal norueguês e esses seguimentos, o máximo que chegava no Brasil era o Bathory, nós não imaginávamos que isso futuramente viria a ser concebido da forma como está sendo, tudo ainda era muito cru, para você ter uma idéia, a maioria das bandas faziam as letras de suas musicas copiando frases de letras de bandas gringas, não interessando nem mesmo a temática! Bom, mas Valhalla para quem não sabe é o paraíso dos guerreiros, que quando mortos em batalhas eram levados por espíritos de mulheres também guerreiras, para Valhalla, onde gozavam de felicidade plena, essa temática nórdica foi retratada no LP de forma crua e totalmente violenta, com exceção da música que leva o nome da banda, e da música Renounciates Oath, todas as restantes falam da violência dessas guerras, de ossos quebrados, dor e de sofrimento. Nunca falamos da mitologia em si, do lobo Fenris que engoliu a lua ou dos gigantes de gelo que conceberam a humanidade. Além dessa característica brutal, e da mesma conduta de 10 anos atrás, que ainda permanece, incorporamos novos elementos por termos adquirido também novos conhecimentos e outras experiências. Os temas novos introduzidos vão desde a desmistificação do dualismo (bem/mal, sanidade/loucura, vida/morte), religiões enquanto instituições e as outras diversas formas de escapismo, em vários níveis de percepção e relatos daquilo que concebemos como verdade.
REALIDADE MACABRA - Para muitos a escolha de um tema estranho ao local de onde se vem demonstra colonialismo e falta de identidade cultural. Como enfrentar isso com o agravante de serem uma banda de mulheres num meio muito machista?
ALESSANDRA - Verdade é aquilo que cada um constrói para si através da sua história pessoal, meus avós maternos são Romenos, meu avô tem ascendência polonesa e eu e minhas irmãs (Adriana-guitarrista e Andrea- ex vocal) ouvimos desde de que éramos crianças, histórias sobre a violência dos bárbaros, a mitologia e as superstições, que inclusive algumas eram praticadas na casa deles, esse universo fazia parte da história pessoal ...da verdade deles e consequentemente da nossa. É difícil explicar por ser muito pessoal. Por outro lado, eu sei plenamente o quanto é difícil manter a integridade de um país e sua cultura e penso que isso é uma questão que vai muito além do nome da minha banda, violentamos a nossa identidade cultural no cotidiano, comprando um CD de uma banda de fora, tendo a opção de comprar um CD de uma banda nacional, dando ibope para programas e filmes que são feitos fora daqui, votando em políticos que preferem fazer uma boa imagem lá fora enquanto o povo que o elegeu morre de fome, até tomando uma coca-cola ao invés de um guaraná....e um milhão de outras coisas! Isso sim é colonialismo e falta não só de identidade cultural mas também de consciência política, filosófica e histórica. Voltando a música... penso que o metal em todas as suas vertentes, é universal, na sonoridade (pelo uso geralmente dos mesmos instrumentos em todos os países) e também por ter adotado uma língua que por vários motivos é tida como universal, o inglês...e aí? será que podemos dizer que isso também não é falta de identidade cultural? Creio que a música é um conjunto de emoções no qual as pessoas se identificam ou não com ela. Quanto a questão da sociedade ser machista, trabalhamos duro e sempre agimos com profissionalismo, felizmente o público no geral têm entendido isso e mantido um grande respeito perante os trabalhos da banda, mas temos consciência do papel importante que exercemos para essa mudança de conceitos, ditos “machistas”, e também em estar influenciando garotas a montarem bandas ou se dedicarem ao aprendizado de um instrumento. Penso que se você desempenha alguma função bem, com certeza você terá seu espaço e o reconhecimento, independente do gênero.
REALIDADE MACABRA - Brasília sempre se destacou por ter uma cena musical muito forte. Com a o advento dessa nova onda de força do death metal, como está se comportando a cena underground do DF?
ALESSANDRA - Como em todo o Brasil a cena vem crescendo, essa é tendência natural, às vezes oscila, mas o aparecimento de novas bandas é inevitável. Penso no lado positivo que é a renovação do público, que comparece em massa nos shows, nas pessoas que acreditam e trabalham em prol das bandas brasilienses e na diversidade musical, que é um fator importante para a cena não ficar estática, e é o que está acontecendo com o Death Metal do Brasil, as bandas estão copiando dissimuladamente as que estão no “auge” e ficando praticamente iguais, aqui em Brasília isso não acontece. Talvez algo que eu deva ressaltar é a carência de melhores produções e um pouco mais profissionalismo.
REALIDADE MACABRA - Mande um recado aos leitores do Realidade Macabra. O espaço é seu.
ALESSANDRA - Eu queria agradecer aos leitores do Realidade Macabra por terem cedido seu tempo às nossas idéias, agradecer o apoio do zine e à Valhalla e consequentemente ao Metal Nacional, a cena precisa de pessoas como você para continuar crescendo e ganhando o respeito que merece! E falar que já estamos em estúdio gravando o álbum mais brutal da Valhalla, que provavelmente vai sair em julho!
Contatos C/ Alessandra: alessandra_valhalla@hotmail.com
capa do disco \"...In The Darkness Of Limb\" |
ADRIANA na época do primero LP |
ALESSANDRA na época do primero LP |
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